Pegamos o ônibus da Av. José Malhoa. Descemos no Parque Eduardo VII[1], cujo nome é em homenagem ao Rei da Inglaterra Eduardo VII, que havia visitado Lisboa em 1902 para reafirmar a aliança entre os países. No topo do parque, com vista para a Praça Marquês de Pombal, há um monumento em lembrança ao movimento de 25 de abril[2], que deu fim ao regime ditatorial do Estado Novo e início ao processo revolucionário de instauração da democracia.
Monumento 25 de Abril
Parque Eduardo VII
Seguimos a pé pela parte lateral do parque até a Praça Marquês de Pombal[3], em que há um monumento em homenagem a Sebastião José de Carvalho e Melo[4], primeiro Conde de Oeiras e Marquês de Pombal. Entre outros motivos, é famoso pela frase “E agora? Enterram-se os mortos e cuidam-se os vivos”, dita após Portugal ter sido devastada, em 1755, por um terremoto, maremoto e incêndios. Marques de teve grande importância na reconstrução da cidade após esses eventos. No Brasil ele é visto como um ditador, pois através da criação da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão[5], da Companhia Geral de Comércio de Pernambuco e Paraíba[6] e instituição da derrama[7] acentuou a produção de riqueza para a metrópole.
Continuamos a pé pela Avenida da Liberdade[8], que tem cerca de 1km de comprimento. Com várias faixas e largos de passeios decorados com jardins, prédios coloridos, prédios modernos e lojas chiques, são conhecida como a Champs Elysées de Lisboa. É uma das principais avenidas da cidade e liga a Praça Marques de Pombal e a Praça dos Restauradores.
Caminhamos toda a avenida (acho que já reparou que gostamos de andar, né?) até chegarmos à Praça dos Restauradores[9], que se caracteriza pelo obelisco de 30 metros de altura que comemora a libertação do país do domínio espanhol.
Pertinho da Praça dos Restauradores está a Praça do Róssio. Seu nome atual é, na verdade, Praça D. Pedro IV[10] (que é o nosso D. Pedro I) e nela já aconteceu touradas, festivais, feiras, paradas militares, festas cortesãs, revoluções populares e autos-de-fé[11] durante a Inquisição. O desenho da calçada foi pensado para homenagear o encontro das águas doces do Rio Tejo com o Oceano Atlântico e inspirou o desenho do calçadão da Praia de Copacabana[12], no Rio de Janeiro.
Passeamos pelas ruas do Róssio até a Praça do Comércio[13], uma das maiores praças da Europa. De lá se tem uma vista linda do Rio Tejo, a partir do Cais das Colunas, que com seus degraus de mármore era considerado entrada nobre para a cidade, onde desembarcavam chefes de estado.
Cais das Colunas, entrada do Rio Tejo para a Praça do Comércio
Ponte sobre o Tejo ao pôr-do-sol, vista do Cais das Colunas, na Praça do Comércio
Em frente à praça pegamos um bondinho vermelho, que fazia parte do bilhete que compramos do Yellow Bus, e fizemos o trajeto pelo Bairro da Mouraria[14], que tem esse nome, pois foi onde os mouros permaneceram até a Reconquista Cristã[15]...
Bairro da Mouraria
Por vezes o bondinho descia ladeiras em que havia calçadas estreitíssimas, nas quais mal se cabia uma pessoa de lado e murchando a barriga... era de se perder o fôlego, pois parecia que não ia acabar bem.
Passamos pelos bairros Graça, Alfama e Chiado... Este último, que já foi o centro do romantismo português, é muito citado por Eça de Queiroz em sua obra Os Maias.
Neste bairro está o Café A Brasileira, fundado em 1905 e que vende o genuíno café do Brasil. Foi em uma das casas, em frente a esse café, que nasceu Fernando Pessoa.
O bondinho ainda passou em frente à Basílica da Estrela[16], onde está o corpo de D. Maria I, que mandou construir esta igreja pela graça de ter tido um filho homem.
No dia seguinte, pela manhã, seguimos para Belém[17], freguesia (como se fosse a divisão de bairro no Brasil) de Lisboa que já foi um concelho autônomo (município).
Começamos pelo Museu da Marinha, que obviamente conta a história da atividade marítima portuguesa. O ingresso custa 5 euros (site oficial: http://museu.marinha.pt/museu/site/pt), mas aos domingos e feriados até às 14h a entrada é gratuita (foi o nosso caso – não pagamos nada!), portanto, planeje para ir a museus aos domingos pela manhã.
Bem ao lado do Museu da Marinha fica o Mosteiro dos Jerônimos[18], que foi encomendado pelo rei D. Manuel I, pouco depois de Vasco da Gama ter regressado da sua viagem à Índia. Assim, é uma prova da riqueza portuguesa na época dos descobrimentos, pois foi financiado em grande parte pelos lucros do comércio de especiarias. Lá estão, entre outros importantes, os túmulos de Vasco da Gama, de Luís Vaz de Camões e de Fernando Pessoa. Sua arquitetura de estilo manuelino[19], também chamado de estilo gótico português tardio ou flamejante, é exuberante e impressionante.
O bilhete custa 7 euros, mas há outras opções de ingressos combo (site oficial: http://www.mosteirojeronimos.pt/pt/index.php). Lembrando que aos domingos e feriados até às 14h é gratuito.
Igreja Santa Maria de Belém, junto ao Mosteiro dos Jerônimos, onde estão os túmulos de Vasco da Gama e Camões
Passando pela Praça do Império e seu lindo jardim, seguimos então para o Padrão dos Descobrimentos[20], monumento que tem a forma de uma caravela, com o escudo de Portugal nos lados e a espada da Casa Real de Avis na frente. À proa está D. Henrique, o Navegador, com uma caravela nas mãos. De cada lado do monumento, estão as estátuas de heróis portugueses ligados aos Descobrimentos. Camões está retratado com um exemplar de Os Lusíadas.
Para entrar custam 3 euros (site oficial: http://www.padraodosdescobrimentos.egeac.pt/) e vale a pena, pois a vista de lá de cima é demais!
De lá fomos até a Torre de Belém[21], uma das 7 maravilhas de Portugal e considerada um dos tesouros arquitetônicos da época de D. Manuel I, foi construída estrategicamente na margem do Rio Tejo para defesa da barra de Lisboa. O ingresso custa 5 euros (gratuito aos domingos até às 14h – site oficial: http://www.torrebelem.pt/pt/index.php).
Fomos até a tradicional Antiga Confeitaria de Belém (site oficial: http://www.pasteisdebelem.pt/), onde se vendem os originais (desde 1837) e famosíssimos Pastéis de Belém[22], uma das 7 maravilhas da gastronomia portuguesa.
A receita vem dos clérigos do Mosteiro dos Jerônimos, que, numa tentativa de subsistência, após 1834, quando todos os conventos de Portugal foram fechados, puseram à venda numa loja uns pastéis de nata, que logo ficaram famosos.
Na porta há uma fila enorme para pedir o pastel, mas vale mais a pena entrar e conhecer o local que é enorme, sentar numa mesinha, pedir pelo menos uns três pastéis (sou comilona mesmo) um chocolate quente (que é muito quente) e saborear essas delícias com calma. Cada pastel custa 1 euro e pouquinho e o chocolate quente por volta de 2,5 euros.
À noite fomos ao Elevador de Santa Justa[23], um transporte publico que, com uma altura de 45 metros, liga a Baixa de Lisboa ao Largo do Carmo, no bairro Chiado. Custa 5 euros o bilhete (site oficial: http://www.carris.pt/pt/tarifario/), mas não tivemos que pagar nada porque o bilhete do ônibus Yellow Bus dava acesso ao elevador também.
No dia seguinte pela manha, fomos até o Castelo de São Jorge[24], cuja construção original julga-se ser do século II a.C., tendo sido encontrados vestígios de ocupação da área que remontam do século VII a.C.
O ingresso custa 7,5 euros (site oficial: http://www.castelodesaojorge.pt/) e só a vista já vale a pena.
Descemos pelas ruas estreitas de Alfamas, pegamos um ônibus em frente ao Museu do Fado (não tivemos tempo de visitar, mas acho que valeria a pena, pois se escuta fado em todo lugar em Portugal) até o Parque das Nações, passando pelo Oceanário (que também vai ficar pra próxima, infelizmente). Pegamos um metro na Estação do Oriente (linda!) sentido rodoviária para voltarmos para Aveiro. Até a próxima Lisboa!
[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Eduardo_VII, acessado em 07/02/2013.
[2] http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_dos_Cravos, acessado em 07/02/2013.
[3] http://pt.wikipedia.org/wiki/Pra%C3%A7a_do_Marqu%C3%AAs_de_Pombal_(Lisboa), acessado em 07/02/2013.
[4] http://pt.wikipedia.org/wiki/Sebasti%C3%A3o_Jos%C3%A9_de_Carvalho_e_Melo, acessado em 07/02/2012.
[5] http://pt.wikipedia.org/wiki/Companhia_Geral_de_Com%C3%A9rcio_do_Gr%C3%A3o-Par%C3%A1_e_Maranh%C3%A3o, acessado em 07/02/2013.
[6] http://pt.wikipedia.org/wiki/Companhia_Geral_de_Com%C3%A9rcio_de_Pernambuco_e_Para%C3%ADba, acessado em 07/02/2013.
[7] http://pt.wikipedia.org/wiki/Derrama, acessado em 07/02/2013.
[8] http://pt.wikipedia.org/wiki/Avenida_da_Liberdade_(Lisboa), acessado em 07/02/2013.
[9] http://pt.wikipedia.org/wiki/Pra%C3%A7a_dos_Restauradores, acessado em 07/02/2013.
[10] http://pt.wikipedia.org/wiki/Pra%C3%A7a_de_D._Pedro_IV, acessado em 07/02/2013.
[11] http://pt.wikipedia.org/wiki/Auto-de-f%C3%A9, acessado em 07/02/2013.
[12] http://pt.wikipedia.org/wiki/Praia_de_Copacabana, acessado em 07/02/2013.
[13] http://pt.wikipedia.org/wiki/Pra%C3%A7a_do_Com%C3%A9rcio, acessado em 07/02/2013.
[14] http://pt.wikipedia.org/wiki/Mouraria, acessado em 07/02/2013.
[15] http://pt.wikipedia.org/wiki/Reconquista, acessado em 07/02/2013.
[16] http://pt.wikipedia.org/wiki/Bas%C3%ADlica_da_Estrela, acessado em 07/02/2013.
[17] http://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Maria_de_Bel%C3%A9m, acessado em 07/02/2013.
[18] http://pt.wikipedia.org/wiki/Mosteiro_dos_Jer%C3%B3nimos, acessado em 07/02/2013.
[19] http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuelino, acessado em 07/02/2013.
[20] http://pt.wikipedia.org/wiki/Monumento_aos_Descobrimentos, acessado em 07/02/2013.
[21] http://pt.wikipedia.org/wiki/Torre_de_Bel%C3%A9m, acessado em 02/07/2013.
[22] http://pt.wikipedia.org/wiki/Past%C3%A9is_de_nata, acessado em 07/02/2013
[23] http://www.visitlisboa.com/Conteudos/Entidades/Parques-e-Miradouros/ELEVADOR-DE-SANTA-JUSTA.aspx, acessado em 07/02/2013.
[24] http://pt.wikipedia.org/wiki/Castelo_de_São_Jorge, acessado em 07/02/2013. http://www.castelodesaojorge.pt/?t=sabermais&id=21, acessado em 07/02/2013.




Amigos, tudo lindo, cada foto, e momentos incriveis.. Adorei o blog.
ResponderExcluirSaudades.
Beijoss Dani (Joy)