ROMA

No dia 16 de janeiro de 2013, pegamos o avião de Paris para Roma.
Do aeroporto pegamos um ônibus para o centro, almoçamos e fomos para o hotel deixar as malas.

Fomos até a Piazza di Spagna[1]. Lá está a igreja Trenitá dei Monti e sua admirável escadaria que termina na Fontana della Barcaccia, ao centro da praça. Durante o verão e primavera a escadaria fica coberta de flores.

Igreja Trenitá dei Monti

Fontana della Barcaccia

Seguimos para a Villa Borghese, um complexo paisagístico enorme que fica na colina de Pinciana. É o segundo maior parque de Roma e de lá é possível apreciar uma vista sensacional da cidade.

Jardins da Vila Borghese

Relógio que funcionava à água na Villa Borghese

Piazza Del Papolo, vista da Villa Borghese

Descemos até a Piazza Del Papolo[2], onde está a igreja Santa Maria Del Papolo[3], que foi construída no século XI, no lugar onde morreu e foi sepultado o imperador Nero.

Na praça também estão as duas igrejas gêmeas: a Santa Maria in Montesanto e a Santa Maria dei Miracoli.

Ao centro está o Obelisco Flaminio[4], construído na época dos faraós Ramsés II e Merenptah. Foi trazido do Egito para Roma pelo imperador Otaviano Augusto.

Obelisco Flaminio e as igrejas gêmeas na Piazza Del Papolo

Seguimos até o Panteão de Agripa[5]. Originalmente, foi construído em 27 A.C por Marco Vipsânio Agripa, um dos mais importantes generais do período inicial do Império Romano, para homenagear os deuses do Panteão Romano.

Em 80 D.C foi destruído por um incêndio, sendo reconstruído em 125 D.C pelo imperador Adriano, agora com o intuito de servir de templo a todos os deuses, inclusive aos dos povos que estavam sob domínio do Império Romano.

Em 608 o templo foi oferecido ao Papa Bonifácio IV, que o consagrou como igreja cristã dedicada a Santa Maria e todos os santos. Sua cúpula foi por muito tempo a maior da Europa e é lá que está enterrado Rafael de Sanzio.

Panteão

Panteão

Panteão

Cúpula do Panteão

Túmulo de Rafael

Depois do Panteão, fomos até a Fontana di Trevi[6], que foi construída no cruzamento de três vias, marcando o ponto final do aqueduto Aqua Vergine. A fonte foi redesenhada, reformada, alterada e aumentada ao longo do tempo, até chegar à forma de hoje.

Há muitas lendas[7] sobre a Fontana di Trevi. Se você jogar uma moeda, de costas, com a mão direita sobre o ombro esquerdo, assegura seu retorno a Roma. Se jogar duas moedas encontrará o amor em Roma e três se casará na Cidade Eterna. Outra lenda diz que se o namorado estivesse indo viajar a trabalho ou para o exército, bastava que a amada lhe oferecesse água da fonte em seguida quebrasse o copo para que ele jamais se esquecesse dela. Outra maneira de garantir o amor eterno é os apaixonados beberem a água da fonte juntos... Como nós já tínhamos colocado nosso cadeado na Pont des Arts, em Paris, não precisamos beber dessa água não...

Fontana di Trevi

Fontana di Trevi

Fontana di Trevi

No dia seguinte fomos primeiro para o Coliseu[8]. O ingresso custou 12 euros e permitiu entrada no Coliseu, Palatino e Fórum Romano.

O Coliseu foi construído sobre o lago da casa de Nero, ao lado de onde ficava uma estátua gigante (colosso) do imperador, daí a origem de seu nome Colosseo.

Foi construído entre 68 e 79 D.C, tinha 48 metros de altura e capacidade para 50.000 pessoas. Possuía três pisos, ou arquibancadas, cada qual para uma classe social. Quanto mais perto da arena maior a classe social. O último andar era de madeira, destinado à plebe e às mulheres.

Durante aproximadamente 500 anos foram realizados diversos espetáculos, jogos, caçadas a animais (venatio), combates entre gladiadores (muneras), representações de batalhas famosas etc.
Nas caçadas eram usados animais como leões, leopardos, panteras, rinocerontes, hipopótamos, elefantes, girafas, cavalos, ursos, crocodilos e avestruzes. Esses animais eram trazidos do andar subterrâneo e surgiam na arena de surpresa, com a ajuda de um mecanismo parecido com o de um elevador.

As representações contavam com cenários monumentais e tentavam ao máximo representar a verdade. Árvores de verdade eram plantadas para representar as florestas. Nas encenações de batalhas navais a arena era inundada com a ajuda de dutos subterrâneos. As pessoas eram decapitações, mutilações e queimadas vivas durante as representações.

Apenas os presos condenados à morte eram obrigados a lutar, os outros gladiadores lutavam por vontade própria. O gladiador que saísse vitorioso por muitas vezes ganhava reconhecimento popular e dinheiro. O povo gritava seu nome durante os combates e as “marias-gladiadores” o rodeavam, assim como as “marias-chuteira” de hoje.

Coliseu

Coliseu

Coliseu

Bem ao lado do Coliseu estão o Palatino e Fórum Romano. Indo para lá, passamos pelo Arco de Constantino[9], construído no século IV para comemorar a vitória de Constantino na Batalha da Ponte de Mílvio.

Arco de Constantino

O monte Palatino[10] é uma das sete colinas de Roma e lá se pudemos ver ruínas que datam do século VI-IV A.C.

Ruínas do Monte Palatino

Ruínas do Monte Palatino

Ruínas do Monte Palatino

O Fórum Romano[11] foi, durante séculos, o local onde se celebravam cerimônias, eleições, discursos, julgamentos de processos criminais, confronte entre gladiadores, centro comercial etc. Tido como o coração da Roma antiga!

Basílica de Constantino

Arco de Tito[12], construído em comemoração a conquista de Jerusalém

 Cômodos da casa de Augusto, recentemente descobertos

Templo de Vênus e Roma

Fórum Romano

Arco de Sétimo Severo

Templo de Saturno

Na volta, passamos pelo Monumento a Vittorio Emanuele II[13]. Também conhecido como Altar da Pátria, foi construído em honra ao primeiro rei da Itália, Vitor Emanuel II. Foi carinhosamente apelidado de “Bolo de Casamento”...

Altar da Pátria

Altar da Pátria

De lá fomos embora para o hotel. Aproveito aqui para dizer que andar por Roma é muito bacana, ir descobrindo casas diferentes, viela, becos, monumentos era demais.

Pelas ruas de Roma

Pelas ruas de Roma

Pelas ruas de Roma

Pelas ruas de Roma

Pelas ruas de Roma

Pelas ruas de Roma

Pelas ruas de Roma

Pelas ruas de Roma

Pelas ruas de Roma

Pelas ruas de Roma

No dia seguinte pegamos um metro e fomos para a Cidade do Vaticano. Primeiro paramos na Praça São Pedro[14].

Praça São Pedro

Obelisco Egípcio trazido pelo imperador Calígula

Fonte da Praça São Pedro

Praça São Pedro vista da cúpula da Basílica de São Pedro

Depois visitamos a Basílica de São Pedro, a maior igreja do cristianismo, com capacidade para 60 mil pessoas. Fizeram parte da construção (e decoração) Michelangelo, Rafael e Bernini.

Sob o altar está enterrado São Pedro, apóstolo de Jesus e primeiro Papa. Quando São Pedro foi de Jerusalém para Roma, sofreu o martírio, sendo executado em 64 D.C, durante o reinado do imperador Nero. Foi crucificado de cabeça para baixo no Circo de Nero e depois enterrado na Colina do Vaticano.

Lá está uma das mais famosas esculturas de Michelangelo, a Pietà. Parecia que eu estava vendo a própria Maria segurando o próprio Jesus, tamanha a perfeição da escultura de “carne e osso”, quer dizer, de mármore.

Depois subimos na cúpula da Basílica de São Pedro (7 euros). Ai meu joelhinho estourado...

Basílica de São Pedro

Basílica de São Pedro

Basílica de São Pedro

Basílica de São Pedro

Entrada do túmulo de São Pedro

A Pietá de Michelangelo

Mosaicos da cúpula da Basílica

Mosaicos da cúpula da Basílica

Vista da parte interna da cúpula

Chorando de dor no joelho

Cúpula da Basílica de São Pedro

Jesus e os discípulos

Roma, vista da Basílica de São Pedro

Palácio do Governo do Vaticano, visto da Basílica de São Pedro

Nem todo mundo sabe, mas, apesar da defesa do Vaticano ser de responsabilidade da Itália, a segurança do Papa está a cargo da Guarda Suíça[15]. A bandeira da guarda é alterada com cada troca de Chefe de Estado, pois contém o emblema pessoal do Papa. A língua oficial é o alemão e o lema é “Com coragem e fidelidade”. Mas o mais curioso mesmo é o modelito super fashion desenhado por Michelangelo. Pena que no dia que fomos os guardas estavam com frio e não deu para ver cem por cento do traje...

Guarda Suíça

Guarda Suíça

Ao lado da Basílica de São Pedro tem uma loja de souvenirs e correio do Vaticano, aproveitamos para mandar uns postais para nossa família no Brasil.

Correio do Vaticano

Seguimos para o Museu do Vaticano[16] (16 euros, site oficial: http://mv.vatican.va/3_EN/pages/z-Info/MV_Info_Orari.html). Na verdade, não é um museu só... É um complexo enorme com vários museus, salas e a Capela Sistina.


Os museus contam com obras de Rafael, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Caravaggio etc.

Escadaria dos Museus Vaticanos

Galeria dos Mapas, nos Museus Vaticanos

Transfiguração[17] (1517-1520), última obra de Rafael,
na Pinacoteca dos Museus Vaticanos

São Jerônimo no deserto, (1480, inacabada), de Leonardo da Vinci,
 na Pinacoteca dos Museus Vaticanos

A deposição de Cristo (1602-1604), de Caravaggio,
na Pinacoteca dos Museus Vaticanos

O túmulo de Santa Helena, mãe de Constantino. Foi ela que identificou
o local onde seu filho mandou construir a Igreja de Santo Sepulcro, em Jerusalém

As minhas obras preferidas foram, na verdade, dois afrescos. O primeiro é A Escola de Atenas (1506-1510), de Rafael, onde foram retratados os principais estudiosos de várias épocas. Todos em um mesmo lugar e momento, como se estivessem criando a filosofia... No centro estão Platão e Aristóteles, e ao redor Epicuro, Anaximandro, Pitágoras, Alexandre – o grande, Sócrates, Parmênides, Protógenes e outros... E bem no cantinho, escondido e curioso, o próprio Rafael, em um autorretrato.

A Escola de Atenas (1506-1510), de Rafael, na Sala de Segnatura,
na área das Salas de Rafael nos Museus Vaticanos

Detalhe do autorretrato de Rafael

A segunda obra que mais gostei, é obvio, foi a Capela Sistina[18], principalmente o teto, pintado por Michelangelo.

A capela é famosa pelos afrescos do teto e das paredes e também porque é o local de realização do conclave, onde se reúnem os cardeais para eleição do novo papa após o início da Sé Vacante.
Os afrescos contam a vida de Jesus, de Moisés e também episódios do Antigo Testamento. Foram pintados por Michelangelo, Rafael, Botticelli etc.

Dá para ficar horas ali olhando para o teto, observando os retratos de episódios do gênesis. Sem dúvida a mais famosa é a Criação de Adão.                                                           

Dizem que Michelangelo pintou o teto da Capela Sistina contrariado, pois ele se achava melhor escultor que pintor (depois de ver a Pietá não dá pra dizer). Quando assisti um filme chamado “O Mundo de Sofia”, em uma cena Sofia pergunta ao Michelangelo como ele sabia quando tinha que parar de bater o martelo do cinzel; ele responde que “quando chega na pele”... Pois dizem que quando ele terminou a escultura de Moisés, bateu com o martelo nas costas da estátua e perguntou “Perché non parli ?” (Porque não fala?)...hehehe...enfim, o cara era fera na escultura...

Michelangelo pintou sozinho, em apenas quatro anos (1508-1512), todo o teto. Para se ter uma noção de como ele foi rápido, a última restauração durou catorze anos. O Papa Júlio II deve ter se revidado em seu túmulo com tanta demora, pois conta-se que chegou até a bater em Michelangelo com sua bengala por achar que ele demorava muito a terminar o trabalho. Conta-se que ele sempre perguntava quando a obra ficaria pronta e Michelangelo respondia “quando eu terminar” (hehe).

Pouco mais de vinte anos depois de pintar o teto foi chamado para pintar a parede do altar, onde retratou O Juízo Final. O papa da época, Paulo IV, queria destruir a obra porque todas as figuras estavam nuas, entretanto, se contentou em mandar que Daniel de Volterra cobrisse os nus mais ousados... É, não tinha esse negócio de liberdade de expressão nessa época!

Infelizmente, só tenho uma foto da capela para por aqui no blog e que ainda foi tirada, clandestinamente, pelo Eurico com sua caneta de espião...brincadeira, ele tirou com o Ipad e por isso que a qualidade está tão ruim...



Na figura ao lado os afrescos do teto da Capela Sistina. Do canto inferior esquerdo até o canto superior direito, a sequência é:

Deus criando o Sol e a Lua
Deus separando a terra das águas
A Criação de Adão
A Criação de Eva
O Pecado Original e a Expulsão do Paraíso














Terminamos aí nossa visita pelo Vaticano. Na volta passamos pelo Castelo de Santo Ângelo[19]. Esse castelo já foi mausoléu, edifício militar, fortaleza, prisão e hoje é um museu. Não entramos, só vimos de fora.

Castelo Sant’ Ângelo e Ponte Sant’ Ângelo sobre o rio Tibre

Paramos um pouquinho na Piazza Navona[20], onde se destaca a Fontana dei Quattro Fiumi (Fonte dos Quatro Rios, de 1651), obra do famigerado Bernini.  Existem outras duas fontes na praça, a Fontana del Moro e a Fontana di Nettuno. Lá também fica a sede da Embaixada Brasileira.

Fontana dei Quattro Fiumi, na Piazza Navona

Fontana dei Quattro Fiumi, na Piazza Navona

Fontana Del Moro, na Piazza Navona

Fontana di Nettuno, na Piazza Navona

Sede da Embaixada Brasileira na Itália

No dia seguinte fomos ao Fórum e Mercado de Trajano[21], construído a mando do Imperador Trajano e inaugurado no ano 112.

Fórum e Mercado de Trajano

Fórum e Mercado de Trajano

Fórum e Mercado de Trajano

Fórum e Mercado de Trajano

Coluna da Trajano, construída em 113, com altura total de 38 metros.
Conta a história de guerras contra os Dácios

Lá ao lado está o Fórum de César[22], inaugurado em 46 A.C

De lá fomos visitar a basílica mãe de todas as igrejas cristãs: a Arquibasílica do Santíssimo Salvador[23] ou Basílica de São João de Latrão. Essa basílica foi a sede do Papa desde o século IV até o século XIV e é uma das propriedades da Santa Sé extramuros.

Basílica de São João de Latrão

Basílica de São João de Latrão

Basílica de São João de Latrão

Basílica de São João de Latrão

Bem ao lado da basílica tem uma igreja onde dizem estar a Escada Santa[24], aquela mesma que Jesus subiu para entrar na sala de Poncio Pilatos, onde foi feito seu interrogatório antes da crucificação. Afirma-se que essa escada tenha sido trazida de Jerusalém para Roma por Helena de Constantinopla (a Santa Helena), mãe do Imperador Constantino, em 326 D.C.

 Enfim, lenda ou não o que é certo é que está sempre cheia de peregrinos, que só podem subí-la de joelhos. São 28 degraus de mármore, cobertos com madeira (para não deteriorar a escada).

Perdemos o horário para visitar a Escada, mas deu pra tirar uma única foto (que eu sei que não ficou assim tão boa) do lado de fora...

Igreja onde está a Escada Santa

Escada Santa

E aqui acabou nossa viagem... No dia seguinte seguimos rumo a Pisa, Florença e Veneza...
“Arrivederci Roma”, quiçá se cumpra a lenda da Fontana di Trevi.



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